O objeto é apenas a vontade, a representação do
ser, do pensar, o espelho do querer, a marionete do destino. A
estação vai chegando, assim como a voz, avisando que o
fim virá, que ele está próximo, e que ele não
desacelera. A luz começa a entrar pela janela e os rostos,
antes ocultos pela má iluminação, agora brilham
junto com os olhos e tudo mais aparece. Um jornal, um livro, apenas
mais uma distração, afinal, apenas esperamos a chegada
da estação. O tempo vai passando e ar vai chegando, a
voz anuncia o começo do fim, e a massa se movimenta, massa que
é de manobra mas que não se manobra, apenas é
manobrada. A inevitável parada acontece, o mundo se abre e a
troca acontece, uns saem, outros entram, em um ritmo dessincrônico,
sem pensar, sem sentir, e o mundo acorda, a massa se move, e a vida
os leva. Agora os rostos interessados pelos passatempos, tornam-se
escuros e fechados, apenas mirando a saída. Do outro lado, os
olhos abrem, olha o vão abaixo e apenas seguem em frente,
crentes, com fé e sem imaginar. Saí, sem olhar pra trás
e deixando a todos que vi há pouco, pensando e interessando o
mundo, a massa de manobra que não se manobra, a massa que a
voz manobra, que ao ouvir Sé, apenas levanta e anda, o mundo
abre e tudo muda, como quem troca de roupa, o local troca de ares e
nada fica. É isso, a estação chegou, o mundo
parou, e recomeçou.