Escrever é …
Comecei a frase no título há três dias quando um amigo me perguntou o que eu achava que escrever representava. Infelizmente, não consegui terminar a frase graçar à complexidade de tal ato, graças à dificuldade de expressar, em escrita, coisas realmente existentes apenas no planos de nossas mentes, e coração.
Há pouco mais de um mês, comecei uma nova empreitada, envolvendo contos, histórias, estórias e outros gêneros textuais que sempre me odiaram na escola, mas que em casa sempre me ajudaram a colocar certas coisas em certos lugares de minha mente.
Mas voltando à minha empreitada, confesso que ela pode ser um tanto quanto megalomaníaca, ou exagerada, quissá imbecil, porém ela está consumindo um ótimo momento de minha mente e espero que assim permaneça.
Enfim, estou escrevendo um livro, ou pelo menos tentando. Postarei a primeira página hoje, aqui, e gostaria de saber a opinião de vocês sobre tal, seja ela boa ou ruim. Quero apenas saber o que acharam; Para tal, utilizem os comentários.
Assim o ano termina. Gostaria de desejar à todos um feliz ano novo e que 2010 venha com muito mais força do que 2009. Afinal, sempre queremos mais e mais.
Capítulo I
-Okay garota. Pode deixar que vou fazer tudo direito.
-Já ouvi tudo isso mais de um milhão de vezes.
-Qual é o seu problema? Eu já entendi TUDO!
-Ooooohhhhhh!!! Oooooohhhhh!!
-Que música é essa?
-I've been wrong...
-Kings Of Leon??? Ahhhhh, o celular!
Novamente, misturando sonho com o despertar de seu celular, ele acorda em mais uma manhã que, como as outras, seria apenas mais uma, insignificante e praticamente impossível de ser lembrada daqui a alguns anos. Pulando de sua cama, vê que já havia desligado o celular mais de duas vezes antes do fatídico toque de “Use Somebody”. Olha para seu relógio de pulso, faz algumas contas, e percebe que, novamente, encontra-se atrasado para aquele dia que seria apenas mais um.
Corre para o banheiro e consegue ser mais rápido que seu pensamento, ainda deitado em sua cama esperando o tempo certo para acordar. Sob a água, lava apenas o necessário e logo já está penteando seu cabelo e escovando os dentes antes que o coletivo passe pela rua debaixo. Jeans e camiseta, mochila nas costas, saí com uma fruta na mão e corre em pensamento até o ponto mas, ao dobrar a esquina, vê o ônibus cruzando a rua e deixando-o para trás.
-Ótimo! Mais um dia atrasado.
Continua seu caminho, mais calmamente, até o ponto e espera o próximo ônibus que lhe sirva para que tente chegar não muito tarde até o trabalho. Mas os segundos passam, os minutos também, e as olhadas ao relógio de pulso se tornam cada vez mais freqüentes. Até que, 17 minutos e 32 segundos depois, outro gigante de lata chega e ele, ofegante pela ansiedade, entra como um flash de luz.
-Bom dia! - diz ele.
-Só se for pra você! - responde o cobrador zangado.
Pensa consigo: “Hoje vai ser duro!”.
Como sempre, a falta de lugares o força a permanecer de pé até o centro da cidade, equilibrando-se por entre pessoas, canos, poltronas cheias, sacolas e egos, cada vez maiores nos dias de hoje, conforta-se em um lugar e começa a olhar ao redor, como faz todos os dias, e nada diferente. Porém, 180º graus após o início de sua procura, vê alguém que nunca havia visto. Vê alguém que, por sua incrível beleza, destaca-se da multidão já borrada pelos cantos da visão.
Daquele momento em diante, seus olhos possuíam apenas uma direção, levemente disfarçada por algumas poucas olhadas aos celulares e algumas mudanças de música, procurando a trilha sonora perfeita para o momento que era muito bom para ser realmente verdade naquele dia.
A mudanças de músicas chegam ao final, Melody Gardot, “If The Stars Were Mine” e tudo começa a encaixar-se em seus devidos lugares. A música o contagia e ele continua disfarçando o olhar. Sem muita vontade, continua se contendo a fim de não mostrar à todos naquele coletivo o que realmente queria fazer o que realmente sentia naquele momento.
Em uma de suas olhadas à ela, seus olhares se encontram, perdidos ao léu. Ele, inconscientemente, dispara um sorriso que é facilmente correspondido por ela, deixando-o ainda mais feliz naquele dia que havia começado de forma estupidamente ruim. Porém, ao olhar pela janela, vê uma loja que nunca havia visto e descobre que perdeu seu ponto de descida. Rapidamente puxa a famosa cordinha responsável por parar o coletivo e em meio a correria para descer, deixa à ela apenas um sorriso rápido mas sincero e intenso. E ela, segura-se com um singelo e simples sorriso, daqueles não que não mostram os dentes, mas mostram a felicidade, ou ao menos parte dela.
Após descer, o caminho 4 quadras até seu trabalho, fez-o pensar que aquele dia seria muito melhor do que seu péssimo começo. Nos fones de ouvido, coloca uma música que gosta muito, “How Soon Is Now”, e inicia sua caminhada da melhor forma possível, feliz. O sol nunca brilhou tanto, os pássaros nunca se destacaram tanto nos céus azuis daquela cidade e um rapaz nunca (quase) foi atropelado com tanta felicidade e normalidade por entre aquelas ruas negras e inquietas.
Chega ao trabalho e faltou-lhe, apenas, desejar um bom dia à samambaia da recepção, pois todos os outros foram contemplados com o mais sincero “bom dia” em muito tempo. Deixa suas coisas em sua mesa e prontamente vai até a cozinha para pegar a sua tradicional caneca de café. Tudo feito tradicionalmente, como em todos os dias, porém um nível a mais de felicidade, ou melhor, alguns níveis.
Senta-se e em alguns minutos já está em outra dimensão ouvindo suas músicas, consideradas estranhas pelos outros, e realizando todo o trabalho daquele dia como um louco apaixonado, algo que não era mentira. Por mais concentrado que estivesse, sua mente continuava, vagamente, focada na imagem momentânea do rosto daquela garota que deu uma virada de quinhentos e quarenta graus em seu dia. Isso mesmo, quinhentos e quarenta graus, uma volta completa e mais meia, a fim de mudar completamente o sentido daquele dia.
[...]
Há tempos.
O natal passou e agora o ano também, as emoções compartilhadas em 365 dias agora caem no esquecimento coletivo até que sejam reacesas as chamas em algum lugar dos anos que ainda nos restam.
As chamas que podem nos queimar, mas também nos aquecer do frio, rompendo assim o frio que a noite tende à sempre apresentar, ou queimando os últimos componentes humanos ainda não robotizados que existem em nós.
Bom, mas como o sábio carioca já dizia: assim caminha a humanidade. Logo virá... Está vindo a nova geração.