Artigos com o marcador vida
Amar e não ser amado.
03/05/09
Acredito que essa seja a frase mais batida de todos os tempos quando o assunto é amor, paixão ou até uma “paixonite” (crédito à senhora Marrí). Mas, por mais incrível que possa parecer (não, não estou me gabando), posso dizer que amo e não sou amado. E de onde vem o “por mais incrível que possa parecer”? Durante toda a minha vida, nunca fui um garoto de muitos amores, nunca fui de namorar e muito menos de sair por aí beijando todas as garotas que eu visse pela minha frente. Muito pelo contrário. Quando o assunto é amor sou, muito, old school.
Para mim, beijar alguém é apenas a consumação de algo muito maior que vem por trás de um relação entre duas pessoas. Algo de grandezas inimaginaveis, um sentimento extremamente complexo e que nada pode explicar. É a consumação do se preocupar com o outro, do querer estar ao lado do outro, do poder gritar ao mundo que ama essa pessoa e o mais importante, ter esse outro ao seu lado para acabar com a solidão, e com o frio.
Durante toda a minha vida, tudo o que eu mais prezei, e prezo até hoje, é não deixar o amor se tornar um sentimento vazio, uma representação vaga da compreenção entre duas pessoas, da sincronia sentimental entre duas pessoas. Mas, por mais que eu tente navegar contra a maré e tentar mostrar ao mundo que isso está errado, o amor está cada vez mais perdido ao relento e tornando-se cada vez mais assunto de novela das 8, e só, esquecendo-se que esse é um dos melhores, quissá o melhor, sentimento que um ser humano pode sentir e que sem ele, não existiríamos, não viveríamos, não levanteríamos de nossas camas com um motivo para continuar.
Hoje digo que amo e não sou amado, que por mais que eu tente, que eu me mostre real e verdadeiro, preocupado, apaixonado, devoto por uma pessoa, sou esquecido na mesma caixa em que os colegas são colocados, aquela caixa que nunca será a primeira a ser olhada, que nunca será esquecida mas que sempre ficará lá, amargando o tempo e a solidão, pois o amor não se foi e nunca irá. Perco noites e mais noites de sono para encontrar uma resposta para o “não” que me é dito por ela e não consigo encontrar. Defino então que o problema sou eu, mas não consigo encontrar onde me arrumar para ter-la ao meu lado e assim, cada vez mais, pego em prantos durante todas as noites em um lugar escuro, sombrio e fechado, do qual há apenas uma saída. Saída qual não gosto, não quero, mas acredito que posso ser a única que irá me confortar e me dar descanso.
Ó vida, ó céus, ó dor!
11/04/09
Hey folks!
Para os que ainda leem essa empreitada tecnológica humana e comunicativa, que o mundo atual insiste em chamar de blog, peço minhas mais sinceras desculpas por não poder comparecer mais aqui tão ativamente e fielmente como fazia há pouco tempo atrás. Mas as circuntâncias atuais não me deixam escolha (e tempo) para ficar por aqui escrevendo sobre o que quero, gosto e sempre gostei. Para os que não tem muito contato comigo, a explicação é que estou afogando-me em estudando e matando-me em trabalho. O cursinho não me deixa escolha a não ser estudar, e o trabalho, por mais cansativo (mentalmente) que seja, está me fazendo feliz e me mostrando o maravilhoso mundo do Java, Oracle, JPA, Hibernate e a tão famigerada Programação Orientada à Objetos, minha nova paixão no momento.
Mas hoje, o post não é sobre minha vida e minhas novas inspirações e aspiração. Hoje falarei (ou melhor, escreverei) sobre a vida de todas as pessoas, ou boa parte delas, que vivem nesse mundo de cão e que não possuem mais tempo para ser elas mesmas, esquecendo muitas vezes de que seu coração é o que as mantêm vivas, e não o dinheiro ganho com o suado trabalho durante o mês todo. Escrevo isso porque vejo por aí, cada vez mais, as pessoas matando suas horas de almoço para conseguir trabalhar mais e assim fazer mais horas extras e ainda assim ganhar um pouco a mais no fim do mês que para o empregador não é nada, mas para o empregado…
A vida deixou de ser o fim, e passou a ser o meio. Meio para que? Meio para chegar à um novo carro, uma nova casa, um novo Status. Confesso-lhes que ter dinheiro NUNCA foi ruim, e não será, mas cheguei à um ponto de vista muito aclamado por alguns, o sentir, o ser. O “ter” já tomou conta de todos nós (sim, eu me incluo nesse conjunto) fazendo-nos querer cada vez mais e mais. E sabe por quê? Porque o mundo quer isso, o mundo clama por ambição, por status, por dinheiro, por vendas, por gasto. Afinal, esse é o capitalismo que sempre nos rotulou “livres” e que agora começa a mostrar o seu lado escuro da face. Um lado que não trará muitas esperanças à nós e muito menos conforto.
Sinto em informar-los, mas entramos na parte descendente do gráfico, começamos a cair e procurar o chão. E espero que esse chão chegue logo, por se continuar assim, tudo que conhecemos por sociedade e humanidade morrerá conosco e com o nosso tão suado dinheiro que cada vez mais se torna escasso e reliqueado.
Pensem…
A estação
29/10/08
O objeto é apenas a vontade, a representação do
ser, do pensar, o espelho do querer, a marionete do destino. A
estação vai chegando, assim como a voz, avisando que o
fim virá, que ele está próximo, e que ele não
desacelera. A luz começa a entrar pela janela e os rostos,
antes ocultos pela má iluminação, agora brilham
junto com os olhos e tudo mais aparece. Um jornal, um livro, apenas
mais uma distração, afinal, apenas esperamos a chegada
da estação. O tempo vai passando e ar vai chegando, a
voz anuncia o começo do fim, e a massa se movimenta, massa que
é de manobra mas que não se manobra, apenas é
manobrada. A inevitável parada acontece, o mundo se abre e a
troca acontece, uns saem, outros entram, em um ritmo dessincrônico,
sem pensar, sem sentir, e o mundo acorda, a massa se move, e a vida
os leva. Agora os rostos interessados pelos passatempos, tornam-se
escuros e fechados, apenas mirando a saída. Do outro lado, os
olhos abrem, olha o vão abaixo e apenas seguem em frente,
crentes, com fé e sem imaginar. Saí, sem olhar pra trás
e deixando a todos que vi há pouco, pensando e interessando o
mundo, a massa de manobra que não se manobra, a massa que a
voz manobra, que ao ouvir Sé, apenas levanta e anda, o mundo
abre e tudo muda, como quem troca de roupa, o local troca de ares e
nada fica. É isso, a estação chegou, o mundo
parou, e recomeçou.
Sem Título
12/03/08
Eu deveria saber
Tudo aquilo que não sei,
Eu deveria ser
Tudo aquilo que não sou.
Eu deveria amar
Todos aqueles que não amo,
Eu deveria andar
Tudo aquilo que não andei.
Saber amar, eu não sei
Mas com você, posso aprender
Que a linha entre o amar e o odiar
É tênue, tão tênue quanto o vestido
Que veste seu pálido corpo
Confundindo-o com a escuridão boêmia
Cenário de mais um de nossos devaneios noturnos.
Assim a noite vai
Fluindo por entre os dedos
Sejam eles das mãos os dos pés
Passando por suas curvas
Nas quais me perco durante a noite,
E só me encontro ao amanhecer
De mais uma noite não solitária.
Soneto da montanha-russa.
19/06/07
As travas da vida cotidiana foram abertas
E a volta começa rapidamente.
O friozinho, antes pequeno
Agora torna a barriga seu lar.
Tudo começa vagarosamente
Subindo, subindo e subindo
Até que em um súbito movimento…
A queda começa.
O tempo passa mais rápido
E tudo não é pário para a força da natureza
Que não deixa nada em seu caminho.
Finalmente acaba
Alguns não veêm a hora de sair
Outros, anceiam a próxima vez.